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Internet prepara-se para era da Web 3.0, com pesquisas avançadas Enviar por email
 
Há algumas semanas, o Netflix, o serviço de aluguer de DVD por correio mais popular dos EUA, publicou um anúncio que chamava a atenção não só pelo valor envolvido, mas pelo desafio proposto. A empresa de Los Gatos, no Vale do Silício californiano, prometia dar 1 milhão de dólares a quem desenvolver um método de pesquisas mais eficiente do que o utilizado hoje.

Actualmente, o cliente que pesquisar no site da Netflix "Os Infiltrados", de Martin Scorsese, por exemplo, e decidir alugá-lo receberá a sugestão de levar também "Gangues de Nova York", "O Aviador", "Cassino" e "Os Bons Companheiros" (do mesmo director) e "The Good Shepherd" e "A Supremacia Bourne" (ambos com Matt Damon, actor de "Os Infiltrados").

A empresa considera que o actual mecanismo de pesquisa é algo básico e primário. Propõe pagar a quem conseguir um algoritmo mais sofisticado. Quem procura "Os Infiltrados", violento longa policial indicado ao Oscar de domingo, pode se interessar por quais outros filmes? E se essa pessoa é um homem, de entre 30 e 40 anos, casado, morador de Washington (todos os dados que a Netflix já possui)?

Mais: e se o cliente não dá a informação inicial ("Os Infiltrados"), mas descreve vagamente o que procura ("filme violento", "director consagrado", "baseado em Boston", "refilmagem de título oriental")?

O que empresas como a Netflix, mas também gigantes como a IBM e a Google, procuram é uma resposta a isso.

"A resposta", disse Nova Spivack, "é a Web 3.0". O termo, segundo o norte-americano, considerado o principal autor em semântica da rede, foi empregado pela primeira vez pelo jornalista John Markoff, num artigo do "New York Times" e logo incorporado e rejeitado com igual ardor pela comunidade virtual.

Seria a terceira onda. A primeira, Web 1.0, foi a implantação e popularização da rede em si; a Web 2.0 é a que o mundo vive hoje, em que os mecanismos de pesquisa como Google e os sites de colaboração do internauta, como o Wikipedia e YouTube, dão as cartas. A Web 3.0 seria a organização e o uso de maneira mais inteligente de todo o conhecimento já disponível na Internet.

De que maneira? Daniel Gruhl, um dos directores do Almaden IBM Research Center, exemplifica. Até agora a rede é como uma lista telefónica com milhões de páginas. Um mecanismo de pesquisa como o Google permite que o utilizador pesquise o conteúdo de cada página todos os Silva, para ficar na metáfora da lista e mesmo utilize a "pesquisa avançada" para restringir um pouco mais os resultados todos os Silva do Porto.

"A Web 3.0 organiza e agrupa essas páginas, por temas, assuntos e interesses previamente expressos pelo internauta", afirma Gruhl todos os Silva que torcem pelo Porto e são alérgicos a frutos-do-mar, digamos. Embora a tecnologia ainda esteja na fase de pesquisa, as possibilidades comerciais são infinitas. E as empresas não estão cegas para isso.

Uma das provas é o próprio centro do qual Gruhl faz parte. Baseado em San José, também no Vale do Silício californiano, tem como função encontrar novos usos comerciais para a rede de computadores e prever quais serão as próximas tendências, os novos YouTube, por exemplo. Gruhl, um Ph.D. em engenharia electrónica do MIT, é especializado em "compreensão das máquinas".

Tanto esse aspecto futurista das pesquisas quanto o próprio termo Web 3.0 são responsáveis pelo maior volume de crítica que a iniciativa recebe. A principal reacção vem, obviamente, da blogosfera. Nos diários virtuais de especialistas, a crítica mais comum é a de que "Web 3.0" nada mais é do que a tentativa de empacotar num termo "vendável" algo que ainda nem existe. "Eu aposto que o futuro é mais "inteligência humana" do que "inteligência artificial'", escreveu o expert Ross Mayfield.

Pesquisa divulgada no início da semana pela Weber Shandwick, uma unidade da Interpublic Group, uma das maiores empresas de publicidade e marketing do mundo, mostra que tais críticas não são unânimes. Segundo o levantamento, 86% dos 104 executivos das maiores empresas americanas ouvidos acreditam que a inovação trazida pela Web 3.0 será o sector que mais ganhará importância ao longo de 2007.

"O surgimento do consumidor com mais poder significa que as companhias não podem mais simplesmente falar de inovação como uma estratégia do futuro", disse Billee Howard, do planeamento da Weber Shandwick. "As empresas precisam procurar novas maneiras de implantar isso".

 

Por: Tiago Morais
Em: 22-02-2007

 
 
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